Dor nas Pernas: 7 Causas e Como Preveni-las

Entenda os principais tipos de dor nas pernas, como diferenciá-los e o que fazer para preveni-los — por uma cirurgiã vascular.

A dor nas pernas é uma das queixas mais comuns entre os pacientes que procuram um cirurgião vascular, talvez a mais comum de todas. As causas, porém, são muito diversas, e justamente por isso o tratamento só é eficaz quando parte de um diagnóstico preciso e de uma abordagem personalizada.

Principais causas da dor nas pernas

1. Dor miofascial (dor muscular)

É uma das causas mais frequentes de dor nas pernas. A síndrome dolorosa miofascial está, na verdade, entre as causas mais comuns de dor musculoesquelética em geral, sendo descrita em 30% a 93% dos pacientes com queixas desse tipo. A dor origina-se na musculatura e nas estruturas que a envolvem, como as fáscias. Estresse, excesso de esforço físico, ganho de peso e, principalmente, o sedentarismo contribuem para o seu desenvolvimento.

A localização mais frequente é na face interna da panturrilha (a “batata da perna”). É comum o paciente relatar que a intensidade da dor varia de uma semana para outra, e que piora com sapatos baixos, chinelos e rasteirinhas. A dor também piora com a movimentação e ao toque, sendo bastante dolorosa em pontos específicos quando se palpa a parte interna das pernas. Costuma ocorrer dos dois lados e ao iniciar o movimento.

Não há um exame específico para o diagnóstico: o exame físico e a história clínica costumam ser suficientes. O tratamento envolve mudança de hábitos, uso de calçados adequados, atividade física de fortalecimento e fisioterapia. Liberação miofascial, acupuntura, kinesiotaping e o uso de analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares também podem auxiliar.

2. Insuficiência venosa crônica

A insuficiência venosa crônica ocorre quando as veias das pernas não conseguem bombear o sangue de volta ao coração de forma eficiente. Isso costuma estar associado a varizes ou à falta de movimento, o que leva à estagnação do sangue nas veias. História prévia de trombose ou dificuldade de mobilizar o tornozelo também são fatores relevantes.

A dor é um sintoma comum e aparece tipicamente no fim do dia, em forma de peso e cansaço. Em geral, uma perna apresenta mais sintomas do que a outra, frequentemente com inchaço vespertino do membro acometido. Na parte interna das pernas, próximo ao tornozelo, alguns pacientes apresentam escurecimento da pele (hiperpigmentação) ou pontos avermelhados nos casos mais avançados. Diferentemente da dor miofascial, a dor venosa é insidiosa: começa devagar ao longo dos anos e piora de forma lenta e gradual.

O diagnóstico é clínico, baseado em exame físico e história. O ultrassom Doppler auxilia a identificar e mapear as veias doentes e a programar o tratamento. O tratamento inicial inclui meias elásticas e medicações. O tratamento cirúrgico abrange a retirada das veias doentes ou procedimentos com espuma (escleroterapia), geralmente reservados a pacientes idosos e a casos com feridas abertas.

3. Claudicação arterial

A claudicação é a dor que surge em um membro, especialmente ao caminhar, geralmente após um esforço de intensidade semelhante. É uma dor limitante: quando aparece, obriga a pessoa a interromper o exercício.

A causa é o estreitamento das artérias da perna, em geral por placas de gordura (aterosclerose), no contexto da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP). Um marco característico é a reprodutibilidade: se o paciente sente dor na panturrilha ao caminhar 100 metros, a dor tende a reaparecer sempre por volta da mesma distância. Costuma melhorar com o repouso.

O diagnóstico começa no exame físico pacientes com DAOP frequentemente têm pulsos diminuídos ou ausentes, perda de pelos e palidez do membro. Entre os exames, destacam-se o índice tornozelo-braço (ITB), o ultrassom Doppler, a arteriografia, a angiotomografia e a angiorressonância. O tratamento é, na maioria das vezes, clínico (medicamentos e exercício supervisionado). Em casos de falha, dor em repouso ou feridas, indica-se a revascularização endovascular ou aberta.

4. Fasceíte plantar

É a inflamação da fáscia plantar, faixa de tecido que vai do calcanhar até os dedos do pé. A dor é mais intensa pela manhã, nos primeiros passos após acordar, e pode piorar ao longo do dia. A dor na perna ocorre por irradiação, sendo a dor no pé a mais intensa.

O diagnóstico é clínico, com ultrassom e ressonância auxiliando na confirmação. O tratamento envolve calçados adequados, fisioterapia, anti-inflamatórios e procedimentos locais.

5. Metatarsalgia

Condição dolorosa que afeta a planta do pé, especialmente na base dos dedos. Pode ser causada por sobrecarga, calçados inadequados, alterações posturais ou obesidade. Assim como na fasceíte plantar, pode gerar dor irradiada para as pernas.

O diagnóstico é feito geralmente com ultrassom e ressonância magnética. O tratamento inclui fisioterapia, calçados adequados e analgésicos.

6. Lombociatalgia

É a dor que se irradia da região lombar para as pernas, causada pela compressão do nervo ciático o maior nervo do corpo —, gerando dor aguda ou em queimação. Em compressões como em L5-S1, o paciente pode relatar dor na face lateral da coxa e da perna, com irradiação para o pé. São dores relacionadas à posição e ao movimento, que pioram ao esticar as pernas. Podem ser bilaterais, mas geralmente uma perna é mais acometida. Não há inchaço nem piora no fim do dia.

O diagnóstico pode incluir eletroneuromiografia e exames de imagem como a ressonância magnética. O tratamento envolve calor local, anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares. A cirurgia é indicada quando não há melhora clínica ou quando há alterações da movimentação.

7. Tendinite

A tendinite ocorre quando um ou mais tendões inflamam por uso excessivo ou movimentos repetitivos. Atividades físicas intensas, sobretudo sem alongamento e aquecimento adequados, podem desencadear o quadro.

Diagnóstico e avaliação

É fundamental buscar a orientação de um especialista para um diagnóstico preciso. Muitas vezes as causas são multifatoriais um paciente pode ter dor muscular e, ao mesmo tempo, sinais de insuficiência venosa crônica. A análise cuidadosa do tipo de dor é essencial, e exames como o ultrassom Doppler ajudam a identificar alterações nas veias e artérias.

Orientações gerais de prevenção e tratamento

Embora as causas sejam variadas, algumas medidas ajudam a prevenir e aliviar os sintomas. A dor nas pernas costuma estar diretamente ligada ao estilo de vida por isso, mudar hábitos pode ser a chave da melhora.

  • Prática regular de atividade física: exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) e de força melhoram a circulação, fortalecem a musculatura e combatem o sedentarismo.
  • Calçados adequados: evite saltos altos e finos, bem como sapatilhas e rasteirinhas sem suporte. Prefira calçados confortáveis, com salto baixo e bom apoio.
  • Atenção à postura no trabalho: quem fica muito tempo em pé pode se beneficiar de meias elásticas; quem passa o dia sentado deve intercalar pausas para caminhar e alongar.
  • Controle do peso: o excesso de peso sobrecarrega veias e articulações; manter peso saudável previne complicações.
  • Mudança de hábitos de vida: evitar o sedentarismo e alongar-se regularmente faz grande diferença na saúde das pernas.

Conclusão

A dor nas pernas é uma queixa comum, com causas que vão de problemas musculares a questões circulatórias e que frequentemente se sobrepõem, tornando o diagnóstico um desafio. Por isso, a avaliação por um profissional especializado é essencial para um plano de tratamento personalizado. Prevenir, com exercício regular, calçados adequados e boa postura, é sempre mais eficaz do que tratar depois que o problema se instala.

Referências

  1. Síndrome dolorosa miofascial entre as causas mais comuns de dor musculoesquelética (30–93%): Galasso A. et al., Curr Pain Headache Rep, 2024 (revisão).
  2. Visão geral da síndrome dolorosa miofascial: Cleveland Clinic Myofascial Pain Syndrome.

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